O Ecumenismo e a prática do Bem

 

Muitas vezes queremos ter o monopólio do bem e da verdade e nos enganamos redondamente. Não nos alegramos quando vemos outros realizarem gestos de amor desinteressado. Não admitimos sequer pensar que seguidores de outras religiões podem ser melhores do que nós, "católicos apostólicos romanos". Não é boa decisão ser sectaristas, mesquinhos e individualistas, julgando-nos melhores que os demais. Para ser discípulo de Jesus não é necessário pertencer a um grupo fechado, basta assumir a prática libertadora dEle. O Espírito de Deus age livremente. Ele pode suscitar "pães de pedras". É só tirarmos a viseira dos olhos e logo perceberemos Deus agindo em diferentes grupos, religiosos e não religiosos. Ele não precisa de nossa autorização para agir no meio da humanidade. O Espírito de Deus não é propriedade de nenhuma Igreja, de nenhuma instituição, de nenhum grupo religioso. O Espírito de Deus age lá onde se realiza algum gesto de amor; lá onde alguém defende a vida humana, animal e vegetal; lá onde alguém defende o direito à liberdade de escolha religiosa e se põe contra todo tipo de intolerância.

(Autor: Pe. Nilo Luza)

A melhor parte de amar

 

As declarações de amor revelam muito do que vai em nossa alma. Por vezes elas nos descrevem com perfeição.

Elas contam se somos possessivos ou ciumentos, se deixamos espaço para o outro crescer como indivíduo ou não.

Por exemplo, quando somos enfáticos demais no Eu preciso de você; no Não consigo viver sem você, revelamos, mesmo sem querer, que nosso amor é mais carência do que doação.

Amar o outro, tendo, como razão e sustento desse amor, tudo aquilo que o outro nos dá, isto é, tudo que recebemos do parceiro, é certamente um amar frágil, que pode não se manter por muito tempo.

Basta que o outro não mais nos forneça o que estava nos oferecendo, que não mais atenda nossas expectativas, para que todo aquele dito grande amor desapareça, como em um passe de mágica.

Recentemente, ouvimos uma declaração de amor que nos chamou a atenção, por apontar uma direção um pouco diferente da comum.

Dizia assim:
A melhor parte de amar é ser o alguém de outra pessoa, e eu quero ser este alguém, o seu alguém...

Vejamos que o princípio por trás da frase é diferente, e bastante nobre. Muito mais compatível com o verdadeiro sentido do amor, o amor maduro.

Querer ser o alguém da outra pessoa é identificar que o outro também tem expectativas, que também quer ser amado, e se colocar na posição de dar-se ao outro, e não só na de receber, o que é bastante egoísta.

As jovens e os jovens, em determinada idade, quando das primeiras paixões, chegam a fazer listas de exigências. Como ele ou ela precisam ser para ganhar o meu coração?...

Notemos que, em momento algum, consideramos que o outro também tem sua lista, suas expectativas. Pensamos apenas em preencher a nossa, o que eu quero, o que eu sonho.

Mas e o outro? Não tem sonhos? Será que podemos atender aos anelos da outra pessoa? Será que preenchemos a lista dele ou dela? E que esforços fazemos para isso?

Assim, querer ser o alguém do outro é levar tudo isso em consideração sempre, e não apenas exigir e exigir constantemente.

Nesse nível de amor perceberemos que o que nos completa, o que nos faz feliz numa relação, é também o quanto fazemos pelo outro, o quanto nos doamos à outra pessoa.
Dessa forma, esse patamar de amor nunca nos fará frustrados.

Precisamos enxergar a tal via de mão dupla das relações amorosas, através de uma nova perspectiva, mais inteligente e mais altruísta.

Querer ter outra pessoa ao lado, apenas para nos preencher, como se diz, é muito perigoso e frágil.
A relação a dois é muito mais do que isso.

Amar precisa sempre vir antes do ser amado.

É o amar que nos fará grandes no Universo e não o ser amado.

Foi o amar de tantos Espíritos iluminados que garantiu que a Terra continuasse a existir, e não sucumbisse por inteiro nas mãos do orgulho e do egoísmo.

Que eu procure mais amar do que ser amado, pois é dando que se recebe...

Assim seja!

Momentos difíceis

Todo ser humano enfrenta períodos difíceis em sua vida.

Há momentos em que a esperança parece desaparecer no horizonte.

Nessas oportunidades, todos os sonhos e planos periclitam.

A harmonia familiar, tão cuidadosamente construída, sucumbe a brigas.

A carreira, tratada com o máximo carinho, passa a ser motivo de tormento.

A saúde, habitualmente vigorosa, torna-se frágil e vacilante.

Amigos de longa data se afastam por conta de desentendimentos fortuitos.

Muitas vezes é possível identificar uma falha no próprio comportamento que desencadeou a catástrofe.

Uma leviandade, uma palavra mal posta, falta de dedicação ou de carinho podem ter levado à desarmonia.

Nesses casos, torna-se evidente o que deve ser corrigido, a fim de evitar novas crises.

Mas às vezes não há causa visível para uma tragédia que se abate.

É o trabalhador dedicado e honesto que se torna desempregado.

O marido fiel e atencioso traído pela esposa.

O filho amado e cercado de atenção que sucumbe às drogas e causa infinitas aflições aos pais.

A amizade antiga que termina por conta de fofocas.

Em outras oportunidades, a vida parece exigir uma quota muito grande de esforços.

A doença de um familiar consome vastos recursos financeiros.

Além disso, o doente exige atenção e cuidados constantes.

A manutenção de um negócio torna-se árdua e pouco rentável.

O patrão revela-se exigente e avaro.

Trabalhar converte-se em uma penitência.

A união da família só se mantém a custo de inauditos esforços.

Entre incompreensões e dificuldades, a tarefa parece hercúlea.

Muitas vezes, há uma saída fácil.

Em outras, isso não ocorre.

Perante um familiar doente, um filho drogado, o único emprego disponível que se torna árduo, o que fazer?

Em tais situações, tem-se um regime severo imposto pela vida.

Se não há causas identificáveis na presente existência, elas se encontram no passado.

O destino das criaturas não é regido pelo acaso.

Em face de situações inelutáveis e graves, não se sinta uma vítima.

Pense que você está tendo oportunidade de redimir-se perante sua própria consciência.

O sacrifício atual representa a liberação de uma antiga dívida.

O familiar que reclama atenção e cuidados pode ter sido outrora levado por você ao vício e à degradação.

Ajudá-lo hoje não representa um favor, mas a reparação de um erro.

Talvez o chefe insensato tenha sido um explorado servo seu no pretérito.

Se ele não teve a força necessária para superar o episódio, cabe a você entendê-lo e desculpá-lo.

Os recursos financeiros que hoje lhe faltam devem ter sido esbanjados outrora.

Seja digno em face das dificuldades que a vida lhe apresenta.

Elas correspondem às suas exatas necessidades de aprendizado e reparação.

Não pense em abandonar o barco, em fugir do dever.

As leis divinas não podem ser burladas.

Elas sempre dão o justo retorno ao mérito e aos equívocos.

Se alguém o trair ou prejudicar, perdoe.

Aja com grandeza e feche o ciclo da dor.

Aprenda a viver e a servir com alegria, mesmo por entre dificuldades.

Para seguir adiante é preciso acertar-se com o passado.

Como praticar o Bem?

 
Todos os dias a Natureza nos chama à prática do Bem. No entanto, são muitas as vezes que deixamos de praticá-lo por indiferença. Não somos capazes de voltar nossa atenção para as coisas mais simples da vida, onde na maioria das vezes existem oportunidades enormes de fazermos uma boa ação. A pedra que retiramos da via pública, o senhor (ou a senhora) de idade que ajudamos a atravessar a rua, uma palavra de conforto quando esta se faz necessária... Em muitas ocasiões podemos fazer o Bem. Quando não o fazemos, pelo simples fato de não aproveitar a oportunidade que nos é oferecida, estamos colaborando para o crescimento do mal. Não praticar o Bem, embora não signifique estar praticando o mal, nos coloca em uma situação de inutilidade perante o progresso da Humanidade. Nós, cristãos, não somos chamados a ser inúteis, mas pelo contrário, somos chamados a tomar consciência de nosso dever de ajudar e, sempre que possível, a estender a mão para o irmão que está caído. Caído às vezes na solidão, no desamparo, num problema para o qual não consegue encontrar solução sozinho. Todos têm algum tipo de sofrimento... "Qualquer um chora uma lágrima secreta", dizia Alziro Zarur. Não deixemos de colaborar no que nosso auxílio se faz necessário. Busquemos sempre praticar o Bem, não para que os outros vejam, mas para que a nossa própria consciência se eleve. Muitos há que praticam o mal não por maldade, mas por ignorância, por não compreender as consequências de suas ações. Mas Deus nos ensina a distinguir, perfeitamente, entre o que é Bem e o que é Mal. Vem de Jesus o ensinamento: "Fazei ao outro o que deseja que o outro faça a você." Antes, portanto, de colocarmos em prática algum pensamento, passemos ele por esse filtro divino. Será que eu gostaria que alguém fizesse comigo o que eu fiz com outrem? Perguntemo-nos. Assim, seremos capazes de ouvir a voz da nossa consciência, que nos foi dada como luz de advertência.

Que o Sagrado Coração de Jesus nos abençoe.
Assim seja!

Mais um pouco...


Atualmente vivemos em um mundo muito apressado. As pessoas andam de um lado para o outro sempre preocupadas e ansiosas quanto aos afazeres. Por vezes não têm tempo nem mesmo de olhar para o Céu e perceber o pôr-do-sol, que como evento místico e maravilhoso, acontece todos os dias para nos renovar as forças, levando consigo toda energia inútil, que já não serve mais ao nosso progresso espiritual. A Lua surge para nos iluminar os olhos na escuridão da noite, e dela irradia a luz capaz de nos acalmar e inspirar. No entanto, muitas vezes não percebemos isso. Não percebemos a imensidão e a magnitude do Universo porque estamos preocupados demais com nossos problemas. Nós mesmos potencializamos os nossos problemas. Como faz falta uma dose de paciência e perseverança em nossas vidas... Às vezes, quando nos deparamos com uma situação conflitante, basta que paremos, elevemos nosso pensamento a Deus e aguentemos "mais um pouco", para não dizermos palavras que ferem, ou tomarmos atitudes das quais, futuramente, nos arrependeremos muito. É tudo o que precisamos fazer: esperar mais um pouco, ouvir mais um pouco, ajudar mais um pouco, e, quando nossa paciência tiver alcançado o limite, suportar mais um pouco. Nesse minuto de silêncio, nesse "mais um pouco", talvez evitemos muitos desgostos, muitas ofensas e muitas amarguras. A pressa é inimiga da perfeição, e do amor também. Aliás, o amor é um exercício de jardinagem: todos os dias, certos cuidados fazem-se necessários para que o jardim continue florindo. Se nos esquecermos dele, as plantas secam e morrem. É preciso que tomemos consciência disso, e também de nossa condição de "visitantes" da Terra. A vida aqui é uma escola; cumpramos com zelo e dedicação todas as tarefas que nos são propostas para que, ao chegar ao fim, consigamos uma boa nota. E por falar em nota, faça um teste: de 0 a 10, que nota você se daria hoje, por exemplo, no seu relacionamento com sua família? Aprendamos, cada dia, a melhorar mais um pouco.

Que o Sagrado Coração de Jesus nos abençoe.

Assim seja!